Enxertos nevrálgicos e tratamentos com bloqueadores de enzimas restauraram a respiração de ratos parcialmente paralisados, e essa pesquisa, publicada na revista Nature de 13 de julho de 2011 e financiada pela Christopher e Dana Reeve Foundation, sugere que técnica similar possa ser usada para tratar paralisados que necessitam de respiradores artificiais. Os resultados também indicam que o uso de estimulação elétrica e outros tipos de drogas trariam uma melhora ainda mais rápida.
Segundo o Dr. Jerry Silver, neurocientista na Case Western University em Ohio e coautor do estudo, a necessidade de restaurar a função muscular é particularmente importante em tetraplégicos com o diafragma pouco móvel, já que danos no topo da medula óssea, perto do pescoço, muitas vezes impedem que os sinais elétricos do cérebro cheguem ao músculo que controla respiração.
A medula é um tecido resistente. Enxertos que em pesquisas anteriores foram bem sucedidos em pernas e braços, mostraram baixa eficácia na coluna vertebral, pois se formam ‘cicatrizes’ após uma lesão, que impedem os nervos de se repararem e formarem novas conexões. Os pesquisadores utilizaram enxertos nevrálgicos - que contém células que ajudam a nutrir e guiar o novo crescimento de nervos danificados - para atravessar o tecido morto, ao mesmo tempo em que injetavam uma enzina (a chondoitinase ABC) que atacava moléculas que impedissem o tecido de se regenerar. E três meses depois, testes demonstravam que os ratos tinham recuperado de 80 a 100% de sua função respiratória. Agora os cientistas também investigam se a função urinária também pode ser restaurada, que muitas vezes é perdida com lesões em partes mais baixas da coluna vertebral.
O Dr. Mark Bacon, da fundação Spinal Research, envolvido no projeto, diz que há muitos anos se pesquisa um modo de reparar a medula óssea, e finalmente consegui-lo e estabelecer conexões funcionais – no caso, o restauro da função respiratória – é um marco na medicina. Os resultados são promissores, e pelo já conhecido uso de enxertos nevrálgicos, somente o uso da enzima necessitaria de novos testes em humanos.
Fonte: Relatório: “Functional regeneration of respiratory pathways after spinal cord injury.” Nature 475, pp. 196-201, 2011





